domingo, 24 de novembro de 2013

Jesus escreveu na areia..



O Evangelho de João relata um encontro peculiar entre Jesus e uma mulher adúltera. Ela não chegou até Ele por livre e espontânea vontade, foi carregada, conduzida de modo covarde. O objetivo dos que a conduziram era incriminar a Jesus por assassinato, pois segundo o Antigo Testamento, quem fosse pego em adultério, deveria ser apedrejado (Levítico 20:10).


Um grupo de anciãos, prestigiados entre a comunidade arma um flagrante. A mulher é a isca e o conluio é um grande cerco com aparência de justiça, mas de sentido criminoso. E com a mulher desarrumada nas vestes, cabelos assanhados e face assustada, percorrem a cidade procurando por Jesus. Ela pede clemência e recebe escarnio, empurrões, palavras difamatórias.


Imaginem o desespero dessa mulher e a vergonha, anunciada para todos. E onde estava o que adulterou com ela? Foi protegido, escondido e absorvido pelos homens. Mas a mulher era empurrada pelas ruas sob olhares de censura. Até que encontram Jesus, o que mais queriam era ouvi-Lo. As pedras em punho, o “apedreja” nos lábios. Mas faltava Jesus dar o veredicto e se Ele conhecia bem a Lei, deveria cumpri-la: morte por apedrejamento.


A Passagem, João 8:3-11


E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.


E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto, redarguidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.



Ele escrevia


A turba chega até Jesus e Ele já esperava, Ele sabia tudo que havia acontecido antes mesmo de Lhe falarem. Sabia até o que não contaram, o que tramaram às escuras e de como aquela mulher era vítima, alguém que tinha inclinação para o pecado do adultério e foi atraída para isso. Ela traiu e foi traída, estava em fel de pecado.


A palavra original grega que descreve adultério é “moicheia” ( dicionário Strong 3430) ; relação sexual ilícita envolvendo pessoas casadas, infidelidade marital.


Moicheia não é aprovada por Deus, toda Escritura sustenta o julgamento de que adultério é agravo ao reino de Deus e leva a condenação (I Corintios 6:10). Não devemos usar a graça de Deus para dar ocasião a desgraça e adentrar na permissividade para trair. Contudo, e se reportando ao momento descrito nos Evangelhos de João, sobre o encontro de Jesus com a mulher apanhada em adultério, enfatizo o amor do Senhor pelo pecador e Sua justiça que não julga segundo a aparência. 


Jesus escrevia na areia enquanto os demais falavam, julgavam, desferiam opiniões moralistas. Onde estaria Jesus quando o encontraram? No meio da rua, em um monte, à beira mar? Não sabemos. Mas Ele pareceu não se incomodar com as acusações a ponto de se mover da posição em que estava. Ele escrevia e permaneceu escrevendo, movendo o pó das pedras com Suas mãos para formar palavras que naquele momento representavam Seu pensamento.


Hipócritas? Seria essa a palavra formada na areia? Jesus muitas vezes tratou assim aos fariseus. "Hipócritas" naquele pedaço de chão nos limites da sombra de Jesus. Poderíamos imaginar que escrevia sobre muitas coisas, mas o que importou, de fato, foi o que saiu de Seus lábios. Ele silenciou por alguns minutos, ignorou até o terror que impuseram aos fatos, não se desesperou e ao escrever com o dedo na terra, provocou murmurinhos e curiosidade.


Na areia


Jesus escrevia, movia o pó da terra em lembrança ao pó de que fomos formados e para onde todos tornaremos um dia:


Com o suor do teu rosto comerás teu pão, até que te tornes ao solo. Pois dele foste tirado. Pois tu és pó e ao pó tornarás. Gênesis 3, 19
Tudo caminha para um mesmo lugar; tudo vem do pó e tudo volta ao pó. Eclesiastes 3: 20


Aqueles anciãos eram pó, pecadores, e tantas vezes cometendo os mesmos pecados e nem por isso se compadeceram da mulher. Mas Jesus que conhece todas as coisas resolve a situação com a maestria que Lhe era comum: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. ”


E o mar levou


Jesus perdoou aquela mulher, mas também recomendou que não pecasse mais. Ela deveria seguir a vida e não voltar ao mesmo lugar de antes. Aqui cabe uma lição retirada do mundo antigo onde os conquistadores, entes de tornar os cativos parte de seu reino, destruíam suas casas para que não houvesse possibilidade de tornarem ao mesmo lugar. Assim, em horror, os cativos eram testemunhas de que suas casas eram completamente destruídas por reis conquistadores. A partir dessa compreensão, temos a ilustração do real significado de "voltar" e "arrepender": deixar a velha casa para trás.


A velha casa onde a mulher adúltera vivia foi destruída e ela morreu para tudo que ali havia. Não olhar para trás, para um passado de mágoa, rancor, infelicidade. O encontro com Jesus era um marco, uma nova casa, nova vida! Ela seria livre para servir, cativa do amor de Deus que a julgou por digna.


Aquele momento, escrito na areia, pelos dedos de Jesus, fora levado pelo mar, como disse o profeta Miqueias em 7:18,19:


Quem é comparável a ti, ó Deus, que perdoas o pecado e esqueces a transgressão do remanescente da sua herança? Tu, que não permaneces irado para sempre, mas tens prazer em mostrar amor. 19 De novo terás compaixão de nós; pisarás as nossas maldades e atirarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar.

O amor de Deus está revelado em Cristo Jesus que sarou nossas feridas e perdoou nossos pecados no sacrifico da cruz. Se pecarmos recorramos a Ele, se o mundo nos condena, Jesus absorve. Pela graça, o arrependimento gera a vida de Deus em nós.



Aquela mulher deveria estar se sentindo deplorável, mas Jesus a olhou de forma especial dando-lhe a oportunidade de mudar o rumo de sua história. Podemos nos sentir condenados, acabados, tristes e sem saída, por algum motivo. Mas o Evangelho é as Boas Novas que veio para transformar nosso ser e consequentemente o viver.

Se dissermos que não temos pecado, enganamos-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. 1 João 1:8-9
Que o encontro de Jesus com a mulher adúltera sirva de lição para que não sejamos impiedosos diante do pecado alheio, mas que habite em nós a misericórdia e o amor Divinos para perdoar assim como desejamos ser perdoados. Sei que é difícil praticar esse ensinamento, mas entreguemos a Jesus tudo quanto carece de perdão e Ele cuidará de nós.

Deus o abençoe.
A tenda na Rocha

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